Adeus, anticongelante! Olá, líquido de refrigeração!

Adeus, anticongelante! Olá, líquido de refrigeração!

Setembro - 2018

Um produto que se encarrega de fazer com que não ocorram no motor do seu carro golpes de calor, merece no mínimo um artigo no blogue da Total.

É provável que associe a palavra “anticongelante” a motores, estradas geladas e bidões translúcidos com um líquido colorido no seu interior. Com efeito, o produto que se denomina assim popularmente evita a congelação da mistura no inverno, mas na realidade a sua principal função consiste em refrigerar o motor. Por esse motivo, convém que substitua a palavra “anticongelante” no seu vocabulário por outra mais adequada: “líquido de refrigeração“.

Com efeito, o líquido de refrigeração encarrega-se de retirar calor do motor, para evitar que as peças metálicas cheguem a temperaturas às quais os metais que as compõem se poderão fundir.

Estes produtos evoluíram muito ao longo dos anos. Isto deve-se ao facto de a própria indústria automóvel ter ido introduzindo novas exigências, à medida que as condições de funcionamento dos motores evoluíam.

Atualmente os propulsores são mais eficientes, pelo que trabalham a temperaturas mais elevadas e apresentam novas solicitações quanto ao tipo de fluido que deve ser utilizado. Mais concretamente, a poupança de combustível requer o uso de materiais menos pesados e uma menor quantidade de produto. Como resultado, os líquidos de refrigeração devem facilitar uma maior transferência de calor, devem ser estáveis à oxidação e face à temperatura, ao passo que a sua viscosidade deve ser baixa. Além disso, devem proteger todo o tipo de metais contra a corrosão.

Como é que estes líquidos funcionam?

Relativamente ao seu comportamento no veículo, os líquidos de refrigeração circulam pelas cavidades do motor, pela culatra e pelo radiador. Deste modo, o calor passa ao líquido a partir dos metais depois do arranque do motor. Depois de o líquido alcançar uma temperatura adequada para o bom funcionamento do motor, o termóstato abre-se.

As funções do líquido de refrigeração do motor são muito variadas, como proteger o motor contra a congelação, conservar as propriedades lubrificantes do óleo, evitar o fenómeno da erosão, impedir cavitações e espumas, proteger o motor contra a corrosão e, claro está, arrefecê-lo.

Quanto à composição do líquido de refrigeração, 45% a 75% do mesmo são água, o que permite a transferência de calor; entre 25% e 50% são MEG (monoetilenoglicol) ou MPG (monopropilenoglicol), ambos protegem contra a congelação e a ebulição; e de 3% a 8% são compostos por aditivos, que estão encarregados de proteger os diferentes materiais.

Aditivos com muitas funções

Sobre os aditivos pode-se dizer que podem ser de diferentes tipos, dependendo das suas funções. Desta forma, os antioxidantes e anticorrosivos protegem os metais e ligas, incluindo o alumínio, contra a corrosão da água. Outros encarregam-se de estabilizar quimicamente o produto (estabilizantes), enquanto os anticalcários eliminam o cálcio das águas duras.

Nos líquidos de refrigeração também há antiespumantes, corante para identificação dos pontos de fuga ou dispersantes que evitam a formação de depósitos. Além disso, a reserva alcalina e o tampão de pH mantêm a acidez do produto dentro de limites que se situam entre 7 e 8, de forma que os metais e ligas só sejam minimamente afetados.

O ABC do bom líquido de refrigeração

Gostaria de saber quais os requisitos que um líquido de refrigeração de qualidade deve satisfazer? Tal como referimos acima, estes líquidos devem ser capazes de absorver calor para refrigerar. Por isso, o seu ponto de ebulição deve ser alto, de tal forma que evacuem o calor ao máximo e evitem as variações de tamanho das peças devido às mudanças de temperatura, que dariam lugar a desgastes. Isto implica que o líquido de refrigeração deve manter uma alta capacidade de transferência de calor e que o seu ponto de congelação se deve encontrar abaixo de 0ºC, dado que a água congelada aumenta de volume, o que poderia dar lugar a ruturas.

Além disso, o líquido de refrigeração deve, não só evitar o ataque aos metais ou borrachas que compõem o sistema de refrigeração, mas também a sua corrosão. Uma boa estabilidade química também é importante. Estes fluidos devem permitir longos intervalos de mudança.

Porque é que não posso utilizar só água para refrigerar o motor?

Caso lhe tenha ocorrido a ideia de utilizar água para refrigerar o motor do seu carro, na verdade isso não é uma boa ideia. Isto deve-se ao facto de a água ser corrosiva, pelo que pode afetar diferentes peças do veículo. Além disso, congela-se a 0ºC e o seu ponto de ebulição sob pressão atmosférica é de 100ºC, o que representa uma gama muito limitada, especialmente para os propulsores modernos. Além disso, se tiver a ideia de utilizar água de um poço, esta poderá ser acompanhada de problemas com sais, algas, bactérias, cálcio e outros depósitos.

Tal como acontece com os óleos de motor, os líquidos de refrigeração devem satisfazer os requisitos estabelecidos pelos fabricantes dos veículos. Por isso, deve utilizar produtos de qualidade contrastada, que se ajustem àquilo de que o motor do seu carro necessita.

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