Porque é que os automóveis consomem óleo (2)

Porque é que os automóveis consomem óleo (2)

Abril - 2018

A Total oferece-lhe alguns detalhes técnicos que explicam porque é que o lubrificante consome e porque é que o seu consumo pode aumentar.

Depois de já estar claro que todos os automóveis consomem óleo e que isto se deve, tanto à conceção do próprio motor do automóvel como ao estilo de condução, vamos ver alguns detalhes técnicos mais específicos que incidem sobre a importância da configuração do propulsor nesta circunstância.

O óleo entra na câmara de combustão por três causas principais: a válvula de admissão a válvula de escape e o próprio movimento do êmbolo.

Relativamente à válvula de admissão, esta é lubrificada para que a sua abertura e fecho fiquem facilitados, assim como a de escape. A própria gravidade faz com que o óleo desça para a câmara de combustão, onde é consumido, dado que a válvula de entrada está na parte alta do motor. Se, além disso, o ar for empurrado pela pressão que o turbo exerce, tal consumo aumenta.

Neste ponto, algumas circunstâncias como o uso de um óleo muito fluido ou a degradação de juntas e retentores podem fazer com que esse consumo seja maior.

O óleo que lubrifica a válvula de escape pode-se queimar ou converter em gás, devido às altas temperaturas dos gases de escape, dado que no interior da câmara são ultrapassados os 1.000 ºC. Neste ponto, um óleo sintético resiste mais facilmente às temperaturas, pelo que a sua degradação ou evaporação são inferiores às de um mineral, de forma que o consumo de óleo do motor também diminui.

Por último, o movimento do êmbolo dentro da camisa leva o óleo que lubrifica esta zona para a câmara de combustão. Como se move para cima, o lubrificante sobe e fica alojado nas gargantas, passando por cima do segmento no movimento de descida. É assim que o lubrificante passa para a câmara de combustão.

Neste processo, o consumo depende da superfície do cilindro: se tiver estrias que retenham o óleo, a poupança de óleo lubrificante aumentará, mas se essas estrias desaparecerem por desgaste, o que aumentará será o seu consumo. Também é necessário que se tenha em conta que uma SAE menor facilitará a deslocação do óleo por esta zona, pelo que entrará uma maior quantidade de combustível e o consumo aumentará.

Qual o consumo de óleo normal de um automóvel?

Os três processos que detalhámos provocam um consumo continuado de óleo no automóvel. Normalmente, este consumo é de um litro a cada 10.000 km, o que equivale, mais ou menos, ao volume existente entre o máximo e o mínimo da vareta de óleo, que são as marcas que lhe indicam se o nível de óleo do automóvel está alto ou baixo.

É o nível de consumo habitual num veículo que faz com que tenha que completar o nível de óleo entre visitas à oficina. Isto deve-se ao facto de as recomendações de mudança de óleo de 20.000 km em serviços severos e de 30.000 km nos normais excederem tal consumo. Por isso, no primeiro caso terá que encher no mínimo um litro de lubrificante, e no segundo dois litros. De forma que é necessário ter no automóvel uma embalagem de óleo para encher com as mesmas características que o que tenha sido introduzido na oficina.

Porque é que o consumo de óleo aumenta?

Há várias razões pelas quais o consumo de lubrificante de um veículo pode aumentar num determinado momento.

O excesso de óleo no cárter é uma delas, dado que quando se ultrapassa o nível máximo, é possível que uma maior quantidade de óleo banhe a camisa, pelo que o movimento do pistão introduzirá mais lubrificante na câmara de combustão e, portanto, o consumo aumentará. Esta é basicamente a razão pela qual o fabricante indica um máximo na vareta que indica se o nível de óleo do automóvel é alto.

Pela sua parte, diluições no óleo por combustível provocam uma descida da viscosidade, que fará com que possa chegar mais óleo às válvulas ou aos pistões. O óleo move-se mais facilmente, o que permite que a bomba envie uma maior quantidade à mesma pressão e aumenta o consumo. Além disso, a película que se forma é mais fraca, o que pode provocar desgastes e uma degradação rápida do lubrificante.

Tal como os humanos acumulam achaques com a idade, os veículos tendem a consumir mais lubrificante à medida que os anos passam. O desgaste das peças faz com que esse consumo aumente. Não é algo que possa notar de repente, dado que isso não acontece de um instante para o outro; no entanto, as folgas vão aumentando com o tempo, pelo que passará mais óleo para a câmara de combustão.

A alteração da viscosidade do óleo de 10W-40 para 5W-30 ou 5W-20, por exemplo, daria como resultado um aumento do consumo num veículo velho, dado que esses lubrificantes são mais fluidos. Como a recomendação do fabricante se baseia na conceção do motor, a alteração para óleos mais evoluídos pode ser um problema.

A passagem de um óleo mineral num automóvel com uma certa idade para outro sintético também pode acarretar problemas no que respeita ao seu consumo, dado que os lubrificantes sintéticos são detergentes, isto é, as suas bases têm a capacidade de arrastar a sujidade depositada e de limpar o motor. Desta forma, as folgas aumentam e, com elas, o consumo de óleo.

Como é lógico, o uso de um óleo de baixa qualidade pode provocar um maior desgaste nas peças, com o bem conhecido aumento das folgas e um maior desaparecimento do lubrificante.

O polimento de camisas, isto é, o desaparecimento das estrias das paredes dos cilindros por desgaste, diminui a retenção do óleo nesta zona, pelo que o lubrificante passará mais facilmente para a câmara de combustão e aumentará o seu consumo. O mesmo se passa com as juntas e os retentores de válvulas que, degradados, também podem aumentá-lo pelo facto de haver menos resistência à descida do óleo.

Se o óleo estiver sujo pelo facto de os filtros de ar estarem em mau estado ou de haver pó de carvão em níveis altos, também serão provocados desgastes prejudiciais quando se tratar de reter o lubrificante.

Que é que se pode fazer para fomentar a poupança de óleo?

Algumas atuações podem ajudar na diminuição do consumo de lubrificante. Por exemplo, as reparações na zona da câmara de combustão, atuando sobre segmentos, juntas ou camisas, podem dar lugar a esta diminuição.

Também poderia ser interessante a passagem de uma SAE para outra, isto é, procurar um óleo mais viscoso que roce mais nas paredes e tenha mais dificuldade em passar pelas folgas, pelo que o seu consumo diminuiria. Uma má combustão também pode diminuir temporariamente tal consumo; no entanto, a formação de pó de carvão e o espessamento do óleo que ele provoca acabarão por originar desgastes e converter essa pretensa poupança de óleo lubrificante numa miragem.

Consumo de óleo vs perda

Por último, convém que se lembre que o consumo de lubrificante por um veículo não é o mesmo que a sua perda.

Em automóveis de uma certa idade, é um facto que costumam existir fugas ou perdas do óleo do automóvel por causas muito diversas: através da tampa do cárter, das condutas, das juntas da bomba ou dos retentores, entre outros pontos, que fazem com que se possa ver uma gota de óleo quando o veículo está parado, ao passo que a quantidade que se perde em funcionamento é menor.

Acontece por vezes que não se nota a fuga, porque vai para o interior do motor. Retentores das guias de válvulas ou do turbo que se tenham degradado e deixem passar óleo para a frente podem dar lugar a fugas que são consideradas como consumo pelo facto de não serem detetadas externamente. No entanto, não correspondem ao que o fabricante considera como consumo, que é o óleo que se queima na câmara de combustão pela conceção do motor.

Não se esqueça de que a utilização do óleo mais adequado à conceção do motor do automóvel pode ajudá-lo a controlar o seu consumo. É por isso que é tão importante que se escolham produtos de qualidade que se ajustem como uma luva ao veículo.

Em próximos artigos apresentar-lhe-emos respostas a algumas perguntas habituais relacionadas com o consumo do óleo.

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